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21 de julho de 2026 · Equipe Jefacil

Reforma tributária no varejo: o que muda no seu PDV entre 2026 e 2033

IBS e CBS substituem ICMS, ISS, PIS e Cofins. O cronograma da transição, o que 2026 exige do seu sistema de emissão e o que o lojista precisa fazer agora — sem pânico.

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A reforma tributária do consumo é a maior mudança fiscal da vida de qualquer lojista brasileiro em atividade. E, ao contrário do que o barulho sugere, a parte que exige ação sua em 2026 é pequena — desde que o seu sistema de emissão esteja em dia.

Este guia é um mapa, não uma consultoria. Decisão de enquadramento e apuração é conversa com o seu contador.

O que substitui o quê

Cinco tributos viram dois:

SaiEntra
PIS e Cofins (federais)CBS — Contribuição sobre Bens e Serviços
ICMS (estadual) e ISS (municipal)IBS — Imposto sobre Bens e Serviços

Mais o Imposto Seletivo, que incide sobre produtos específicos (bebida alcoólica, cigarro, e outros itens definidos em lei) — não é um imposto geral do varejo.

A lógica dos dois novos é a de um IVA: não cumulativo de verdade, com crédito amplo do que você compra. Na prática, o imposto passa a incidir sobre o valor que você agrega, não em cascata.

O cronograma, em português

2026 — ano de teste. Alíquotas simbólicas (CBS de 0,9% e IBS de 0,1%), com mecanismo de compensação previsto na legislação. O objetivo do ano não é arrecadar: é fazer todo mundo testar a emissão com os novos campos. Quem emite documento fiscal corretamente com o destaque tende a não ter desembolso efetivo neste ano — confirme o detalhe com o seu contador, porque há condições.

2027 — CBS pra valer. PIS e Cofins são extintos. A CBS entra com alíquota cheia. O IPI é zerado para a maior parte dos produtos.

2029 a 2032 — transição do IBS. ICMS e ISS vão sendo reduzidos gradualmente ano a ano, enquanto o IBS sobe na mesma proporção. É o período mais confuso: você vai conviver com os dois sistemas ao mesmo tempo.

2033 — regime novo, sozinho. Só IBS e CBS.

O que isso pede do seu sistema HOJE

Esta é a parte que te afeta de verdade em 2026.

1. Layout de documento fiscal atualizado. NF-e e NFC-e ganharam grupos de campos novos pra IBS e CBS. Se o seu emissor não foi atualizado, a nota é rejeitada — e loja com nota rejeitada é loja parada. Se você usa um sistema em nuvem, isso deve ter chegado sozinho. Se você usa um emissor instalado na máquina do caixa, alguém precisa atualizar.

2. Cadastro de produto com classificação correta. NCM correto deixa de ser detalhe. As alíquotas reduzidas e as regras de cesta básica dependem da classificação do item. NCM errado no cadastro vira imposto errado na nota — e a diferença agora aparece.

3. Cadastro de cliente PJ completo. Como o crédito da cadeia fica amplo, o seu cliente empresa vai cobrar nota com os dados certos pra se creditar. Cadastro incompleto vira retrabalho e cliente irritado. Veja NFC-e ou NF-e.

Simples Nacional: continua existindo?

Sim. O Simples Nacional foi mantido, e quem está nele segue recolhendo no documento único.

O ponto de atenção é outro: a empresa do Simples pode optar por recolher IBS e CBS por fora do regime, o que faz o cliente PJ dela receber crédito integral. Pra quem vende no varejo pra consumidor final, isso normalmente não muda nada. Pra quem vende pra empresa (atacado, distribuidora, autopeças que atende oficina), pode virar argumento comercial forte — ou risco de perder cliente pra concorrente que dá crédito.

É exatamente o tipo de decisão que se toma com o contador, com o seu mix de clientes na mão. Veja MEI ou Simples Nacional.

Split payment: o que é

Um dos mecanismos previstos é o split payment — o imposto sendo separado no próprio momento do pagamento, indo direto pro fisco em vez de passar pelo seu caixa.

Pro lojista honesto isso é neutro no resultado, mas muda o fluxo de caixa: parte do dinheiro que hoje entra na conta e sai semanas depois deixa de entrar. Quem usa o dinheiro do imposto como capital de giro (mais gente do que admite) precisa se preparar com antecedência. Veja capital de giro para lojista.

O que fazer agora, em ordem

  1. Confirme que o seu emissor está atualizado pros layouts novos. Este é o item urgente.
  2. Revise o NCM dos seus produtos mais vendidos. Comece pelos itens da curva A. Veja curva ABC de produtos.
  3. Complete o cadastro dos clientes PJ.
  4. Converse com o contador sobre a opção de recolhimento por fora, se você vende pra empresa.
  5. Não refaça a precificação agora. As alíquotas de 2026 são de teste; recalcular preço com base nelas é errar duas vezes.

O que NÃO fazer

Trocar de sistema no meio do ano por medo. A reforma não pede um ERP diferente — pede um ERP atualizado. Se o seu fornecedor está entregando as notas técnicas no prazo, você está bem.

O sinal de alerta é o contrário: se o seu emissor está parado há dois anos, o problema não é a reforma. A reforma só vai ser o momento em que ele para de funcionar.


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