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12 de julho de 2026 · Equipe Jefacil

Margem por produto: por que faturar mais nem sempre é ganhar mais

A diferença entre markup e margem, por que o custo precisa estar cadastrado e como descobrir o produto que vende muito e não deixa nada.

gestão precificação relatórios guia

Tem uma pergunta que separa o lojista que cresce do que só trabalha muito: qual dos meus produtos dá lucro?

Parece básica. Mas responder exige uma coisa que a maioria das lojas não tem no sistema: o custo de cada produto. Sem custo, todo relatório fala de faturamento — e faturamento é vaidade.

Markup não é margem

Confundir os dois é o erro mais caro do varejo brasileiro.

Você compra por R$ 10 e vende por R$ 15.

  • Markup = quanto você somou em cima do custo → 50%.
  • Margem = quanto sobra sobre o que você vendeu → 33%.

O mesmo produto, dois números diferentes. Quem acha que está com 50% de margem quando na verdade tem 33% dá desconto que não cabe.

A fórmula da margem:

margem % = (preço de venda − custo) ÷ preço de venda × 100

Repare no divisor: é o preço de venda, não o custo. É por isso que margem nunca passa de 100%, e markup pode passar de 300%.

O custo tem que estar cadastrado

Não adianta ter na cabeça. Precisa estar no produto, e precisa estar atualizado.

O momento natural de atualizar é o recebimento da compra: chegou a nota, o custo daquele item é o custo de hoje. Sistema que atualiza o custo no recebimento resolve isso sem ninguém lembrar de nada. Ver dar entrada na nota do fornecedor.

Se você atualiza custo uma vez por ano, sua margem é ficção.

Os quatro tipos de produto

Cruzando volume de venda com margem, todo catálogo se divide em quatro grupos — e cada um pede uma decisão diferente:

Margem altaMargem baixa
Vende muitoO que sustenta a loja. Proteja: nunca deixe faltar.Produto de tráfego. Traz gente. Só cuidado pra não ser a maior parte do faturamento.
Vende poucoNicho. Mantenha, ocupa pouca prateleira e paga bem.O problema. Ocupa espaço, prende dinheiro e não devolve.

O quadrante de baixo à direita é o que ninguém olha. São produtos que ficam anos no estoque porque “um dia alguém leva”. Esse dinheiro parado é capital de giro que faltaria pra comprar o do quadrante de cima à esquerda.

O produto que vende muito e não deixa nada

É o caso mais traiçoeiro, porque ele aparece no topo de todo relatório de “mais vendidos” e todo mundo se sente bem.

Refrigerante em mercadinho é o exemplo clássico: sai o dia inteiro, margem de 8%, e ainda ocupa geladeira (que consome energia). Vale ter — traz o cliente. Mas se ele é 30% do seu faturamento e 8% da sua margem, sua loja está trabalhando muito pra ganhar pouco.

A saída raramente é parar de vender. É usar o produto de tráfego pra vender o de margem: colocar perto, montar combo, treinar a sugestão no balcão.

Duas leituras que resolvem 80%

  1. Lucro por produto no período — faturamento menos custo, item a item, ordenado por quanto sobrou. Não por quanto vendeu.
  2. Curva ABC — quais 20% dos itens fazem 80% do resultado.

Leia as duas juntas uma vez por mês. É meia hora que muda a próxima compra.

Um aviso sobre desconto

Desconto sai inteiro da margem, nunca do custo.

Produto com 33% de margem, 10% de desconto: a margem cai pra 26%. Você precisa vender 27% a mais em volume só pra empatar o mesmo lucro.

Antes de dar desconto linear “pra girar”, pergunte se você consegue vender 27% a mais. Se não consegue, o desconto está te custando dinheiro para parecer que está vendendo.


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