10 de julho de 2026 · Equipe Jefacil
NCM, CEST e CFOP: o que é cada um e como não errar no cadastro
Três siglas que decidem o imposto da sua nota. O que cada uma significa, onde encontrar a correta, os CFOPs mais usados no varejo e como preencher tudo sem digitar.
Quem nunca emitiu nota fiscal acha que o difícil é o certificado digital. Quem já emite sabe que o difícil é o cadastro — e dentro dele, três campos que quase ninguém explica direito.
NCM — o que o produto é
Nomenclatura Comum do Mercosul. Oito dígitos que classificam a mercadoria, seguindo o sistema harmonizado usado internacionalmente.
Ele é lido assim:
2202.10.00
││││ ││ └── item (detalhamento nacional)
││││ └───── subitem
│└┴┴──────── posição e subposição
└─────────── capítulo
O NCM é quem decide a tributação do item: alíquota, se está sujeito a substituição tributária, se tem redução de base, se entra em regime especial.
Onde achar o correto:
- Na nota do fornecedor — é a fonte mais prática e mais confiável no dia a dia.
- Na tabela oficial da NCM, buscando pela descrição.
- Com o seu contador, para os itens de maior volume.
O erro clássico: usar um NCM genérico “que passa na SEFAZ”. Passa mesmo — validação de layout não é validação de mérito. O problema aparece na fiscalização, e cresce com a reforma tributária, em que a classificação determina alíquota reduzida e cesta básica. Veja reforma tributária no varejo.
CEST — se o produto está em substituição tributária
Código Especificador da Substituição Tributária. Sete dígitos que identificam itens sujeitos ao regime de ST.
Regra prática: se o produto está na lista de ST, o CEST é obrigatório na nota — mesmo que naquela operação específica não haja retenção. Se não está, o campo não vai.
Um NCM pode abrigar mais de um CEST, porque o CEST é mais específico. Por isso ele não se “deduz” do NCM sozinho — vem da tabela e, na prática, da nota do fornecedor. Veja substituição tributária no varejo.
CFOP — o que está acontecendo na operação
Código Fiscal de Operações e Prestações. Quatro dígitos que dizem qual é a natureza daquela movimentação. Diferente dos outros dois, ele não descreve o produto — descreve o fato.
O primeiro dígito é o mapa inteiro:
| Começa com | Significa |
|---|---|
| 1 | Entrada, dentro do estado |
| 2 | Entrada, de outro estado |
| 3 | Entrada, do exterior |
| 5 | Saída, dentro do estado |
| 6 | Saída, para outro estado |
| 7 | Saída, para o exterior |
Repare no par: 5102 e 6102 são a mesma operação — venda de mercadoria adquirida de terceiros — mudando só se o destinatário está no seu estado ou fora dele.
Os CFOPs que o varejo mais usa
| CFOP | Operação |
|---|---|
| 5102 / 6102 | Venda de mercadoria adquirida de terceiros |
| 5405 | Venda de mercadoria em ST, como contribuinte substituído |
| 1102 / 2102 | Compra para comercialização |
| 1403 / 2403 | Compra para comercialização em operação com ST |
| 1202 / 2202 | Devolução de venda (mercadoria voltando pra loja) |
| 5202 / 6202 | Devolução de compra (mercadoria voltando pro fornecedor) |
| 5910 / 6910 | Remessa em bonificação, doação ou brinde |
| 5949 / 6949 | Outra saída não especificada |
Sobre devolução, vale reler o par com calma: quem devolve emite o CFOP de saída, e quem recebe de volta emite ou registra o de entrada. Veja nota fiscal de devolução.
Como preencher isso sem digitar nada
Aqui está a parte prática. Ninguém deveria estar digitando NCM de 8 dígitos e CEST de 7 em centenas de produtos.
Importe o XML da nota do fornecedor. O arquivo traz, por item: descrição, quantidade, custo, código de barras, NCM, CEST e o CST/CSOSN. Os produtos novos entram no catálogo já classificados, e os existentes têm o custo atualizado.
É de longe o recurso com maior retorno por hora em quem tem catálogo grande. Veja importar XML de NF-e do fornecedor.
O CFOP não vem do produto — vem da operação. Ele deve ser aplicado pelo sistema conforme o tipo de venda e o destino, não escolhido a mão pelo operador do caixa. Se alguém no seu balcão precisa saber o que é CFOP, alguma coisa está errada na configuração. Veja configuração fiscal.
Checklist de cadastro saudável
- NCM preenchido em todos os produtos, vindo da nota ou da tabela.
- CEST nos itens sujeitos a ST.
- Nenhum NCM genérico usado como coringa.
- CST/CSOSN coerente com o seu regime tributário.
- CFOP aplicado pelo sistema, por tipo de operação e destino.
- Entrada de mercadoria por XML como padrão, digitação como exceção.
- Revisão dos itens da curva A com o contador uma vez por ano. Veja curva ABC.
Classificação fiscal tem casos limítrofes reais. Para os itens que representam a maior parte do seu faturamento, vale a conferência de um contador — errar no item que gira é caro, errar no que não gira é irrelevante.
O Jefacil puxa NCM, CEST e CST do XML do fornecedor, valida a tabela NCM no cadastro e aplica o CFOP pela operação. Teste 14 dias grátis, sem cartão.